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Rafaela Silva rebate críticas à sua defesa: "Quem diz que é mentira vai me aplaudir na Olimpíada"

Publicado dia 22/09/2019 às 14h34min
Em entrevista exclusiva ao Esporte Espetacular, judoca explica seus argumentos contra o doping, baseados na possível contaminação a partir do contato com uma bebê e revela vídeos da defesa

Rafaela Silva soube do seu caso de doping no Mundial de Judô do Japão, no fim de agosto. No início do mesmo mês, ela tinha sido ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Naquele dia 9 de agosto, porém, testou positivo para a substância fenaterol, que tem efeito broncodilatador. Desde então, Rafaela conta nesta entrevista exclusiva ao Esporte Espetacular, durante a qual chegou a chora. É a primeira que ela concede uma entrevista desde a divulgação do caso, que ficou martelando na própria cabeça o que tinha feito dia a dia desde 17 de julho, quando voltou da última viagem, até a ida para o Pan. Chegou á conclusão de que a contaminação possa ter acontecido a partir do contato com um bebê. Lara, de sete meses, é filha de outra judoca do Instituto Reação, Flávia Rodrigues, e faz uso de medicação contra asma. O contato com a criança teria acontecido em 4 de agosto, na véspera do embarque para Lima.

- Muita gente acha que é mentira, mas depois que for provada minha inocência e que colocarem as imagens nas redes sociais e nas matérias o pessoal vai entender e vai parar de criticar um pouco. Nem eu ia imaginar que pegar uma bebê de 6 meses no colo isso ia me dopar e colocar uma substância dentro do meu corpo e eu ia estar passando por esse momento agora – afirmou Rafaela Silva.

Segundo Bichara Neto, advogado do caso, na próxima semana a PanAm Sports, que organizou os Jogos de Lima, deve anunciar a decisão sobre a medalha de Rafaela. Já o processo sobre a punição, que pode variar apenas de uma advertência até a suspensão por 2 anos, ainda não foi iniciado na FIJ (Federação Internacional de Judô). Portanto, não tem data para conclusão. O advogado reforça, porém, que, como a substância (fenaterol, encontrada no medicamento Berotec, por exemplo) é exógena, ou seja, não produzida pelo organismo, a quantidade que estava no corpo da judoca não é relevante. Assim, "a tese da contaminação pela criança é possível e verdadeira". Mesmo assim, muitas críticas foram feitas à Rafaela nas redes sociais logo depois que ela apresentou sua defesa.

- Falei para minha coach hoje (Nell Salgado): "As mesmas pessoas que me criticaram em Londres 2012 foram as mesmas que me aplaudiram no Rio em 2016". Então tem muita gente que vai me criticar hoje, que vai jogar pedra, porque acha que o telhado dele não é de vidro, mas depois que virem que eu provei minha inocência, que eu for liberada para participar da Olimpíada de Tóquio 2020 conseguindo uma medalha, possivelmente essas pessoas irão me aplaudir também. Então estou focada na minha audiência, esperando resultado, treinando e competindo - disse Rafaela.

 

Na Olimpíada de Londres 2012, Rafaela foi desclassificada na segunda luta após aplicar um golpe proibido, segundo regras que haviam sidi implementadas na época. Ela foi vítima de ataques racistas nas redes sociais e reagiu com xingamentos. A dor da estreia olímpica transformou-se em ouro quatro anos depois. Nos Jogos do Rio 2016, a judoca da Cidade de Deus foi medalhista de ouro. Nesse período ela também conquistou o título mundial e, em agosto, do Pan.

- Sempre que a gente vê algo ruim da gente, algo negativo, sempre mexe um pouco porque a gente não tem sangue de barata. Mas hoje eu estou um pouco mais madura e consigo ver aquele comentário e aquela foto e apenas vou, apago, finjo que não vi porque não vale a pena. Eu vi que lá atrás, depois da Olimpíada de Londres, isso foi um dos motivos que fez quase parar e abandonar a vida como atleta, por comentários de pessoas que não me conhecem, que não vivem meu dia a dia, não sabe da minha luta diária. Eu não podia me deixar afetar por comentários de pessoas que não sabem o que vivi e o que passei. Hoje eu dou mais importância para quem está ali do meu lado. Rafaela Silva compete neste domingo em Brasília, no Grand Prix Nacional de Judô, defendendo o Instituto Reação, do Rio de Janeiro.

Fonte: G1 NOTICIAS

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